O breu da noite faz flutuar o Cristo Redentor, as cinzas sem sombras sobrevoam a minha cabeça e fazem retornar as memórias guardadas em uma caixa modificada pelo tempo. Como pode? Como pode a noite solitária me fazer dar uma volta pelo que já se foi? Mas, mais cruel ainda é quando quero me lembrar e não me lembro, nas noites quentes, os momentos se esvaem e só voltam como nostalgia.
O arpoador, as mãos dadas, a minha cabeça encostada em seus ombros e o vento, o vento da nova estação. Seria muito contraditório dizer que por um outro lado eu adoro relembrar esses momentos? É como pescar o ar, ele está ali, eu sei, você sabe, todos sabem, e o fato de ser impossível apertá-lo, amassá-lo e abraçá-lo me deixa com mais vontade ainda de desvendá-lo.
O sino da escola toca e eu acordo, apesar de não estar dormindo. A multidão se concentra na porta, e isso me inclui. Mas a minha mente, a minha mente está em outro lugar.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
O vinho, a escuridão e a (ins)piração
A mulher dos olhos fundos tristes traga seu cigarro enquanto olha fixamente para os discos de vinil do corredor de sua casa. Pensa e repensa em suas melancolias, sofre quando não sofre e mil pensamentos rodeiam sua cabeça de linhas confusas, coça seu braço em um movimento quase que involuntário, muitas coisas te importam, nada te importa. A sensação de arranhões (causados por ela mesma) corrói seu eu e seus problemas viram sua rotina.
Ouço aquele barulho. É a rosca do vinho. Uma taça na mão e o cansaço na outra, a mulher abre o vinho e o despeja na taça cuidadosamente, eu mesma ouço sua saliva, ela degusta e mente, fingindo ser a primeira da noite.
Depois de algumas taças, acontece o golpe de sinestesia, mas acreditem, isso não é poesia. Seus sentidos mudam, seu humor fraqueja ainda mais e a dependência passa por seus fios de cabelo branco, que um dia já foram pretos como o som da noite.
O lírio adormece e o canto da mulher vira grito, vira sufoco, vira asma. Ela afoga as mágoas, as saudades, os sentimentos no choro e no vinho importado.
E eu, eu me pergunto, por quê?
Ouço aquele barulho. É a rosca do vinho. Uma taça na mão e o cansaço na outra, a mulher abre o vinho e o despeja na taça cuidadosamente, eu mesma ouço sua saliva, ela degusta e mente, fingindo ser a primeira da noite.
Depois de algumas taças, acontece o golpe de sinestesia, mas acreditem, isso não é poesia. Seus sentidos mudam, seu humor fraqueja ainda mais e a dependência passa por seus fios de cabelo branco, que um dia já foram pretos como o som da noite.
O lírio adormece e o canto da mulher vira grito, vira sufoco, vira asma. Ela afoga as mágoas, as saudades, os sentimentos no choro e no vinho importado.
E eu, eu me pergunto, por quê?
sábado, 21 de novembro de 2009
Blog em reforma
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Sofia
Os olhos dela brilhavam como o Sol num dia quente, cuja previsão era nebulosa. Pode até soar como uma antítese na poesia, mas o Lirismo, ah, o Lirismo, me permite viajar em qualquer verso, me permite embaralhar as idéias e eu me permito escrever qualquer coisa que for.
Onde eu estava?
Ah, os olhos dela brilhavam como o Sol num dia quente, cuja previsão era nebulosa, seu sorriso ofuscava um e qualquer sentimento tenebroso que pudesse vir a acontecer (ou que podia ter acontecido) naquele belo dia, que em breve estaria adormecido nas lembranças.
As ruas se mexiam e quando a menina balançava a cabeça de um lado para o outro para perceber em que direção as pessoas opostas a ela viriam, sentia que qualquer movimento que ela fizesse seria dedicado a tal nitídez de alegria.
Sofia, Sofia era seu nome, sua voz e seus espasmos. Andava cambaleando com o coração apertado por sua paixão e ao mesmo tempo leve por tal solidão. Sofia não Sofria mais.
Ela navegava nos mares do estro que lhe viam à cabeça e amenizava tal confusão estalando os dedos e respirando fundo.
Ela pegou as chaves do bolso e finalmente, depois de tanto tempo, depois de tantas mágoas, resolveu nunca mais viver o passado, viver, não reviver. A partir daquele momento, daquele único momento em que ela balançava as chaves e aflita parecia estar (apenas parecia), decidiu viver o presente, e no dia seguinte, o futuro. Abriu a porta (ou será que não?) e entrou no verdadeiro universo, o seu universo.
Onde eu estava?
Ah, os olhos dela brilhavam como o Sol num dia quente, cuja previsão era nebulosa, seu sorriso ofuscava um e qualquer sentimento tenebroso que pudesse vir a acontecer (ou que podia ter acontecido) naquele belo dia, que em breve estaria adormecido nas lembranças.
As ruas se mexiam e quando a menina balançava a cabeça de um lado para o outro para perceber em que direção as pessoas opostas a ela viriam, sentia que qualquer movimento que ela fizesse seria dedicado a tal nitídez de alegria.
Sofia, Sofia era seu nome, sua voz e seus espasmos. Andava cambaleando com o coração apertado por sua paixão e ao mesmo tempo leve por tal solidão. Sofia não Sofria mais.
Ela navegava nos mares do estro que lhe viam à cabeça e amenizava tal confusão estalando os dedos e respirando fundo.
Ela pegou as chaves do bolso e finalmente, depois de tanto tempo, depois de tantas mágoas, resolveu nunca mais viver o passado, viver, não reviver. A partir daquele momento, daquele único momento em que ela balançava as chaves e aflita parecia estar (apenas parecia), decidiu viver o presente, e no dia seguinte, o futuro. Abriu a porta (ou será que não?) e entrou no verdadeiro universo, o seu universo.
domingo, 8 de novembro de 2009
Eu sei lá
A luz, que antes machucava meus olhos, hoje salta para dentro deles e se acomoda como se mal nenhum pudesse me fazer; o som que maltratava meus ouvidos, soam como melodia e até me fazem cantar, minha amarga voz vira soprano e toda dor se camufla na poesia; aquele cheiro que tanto me incomodava é o perfume da estação, o único perfume.
A rotina pode chegar, as tardes frias estão prontas para vir e os ruídos dos soluços podem ecoar, porque a tristeza e a melancolia estão em uma viagem de longa data. Elas não querem voltar.
A forma como eu vejo a vida, a forma como eu sinto a morte chegar e a forma como eu vivo essa constante aventura entre nascer e sumir nunca estiveram interligadas, se a vida é curta, ao meu ver, deve-se aproveitá-la tanto sofrendo quanto sendo feliz, não importando o quão doloroso o pó possa ser, porque é tudo curto demais para não se pensar... A luz, o som, os cheiros... Tudo é presença, tudo é corpo, é alma, é suor.
(Agora essa é pra você que pensou que esse texto não faz sentido nenhum.
Isso precisa ter sentido? Isso é meu... Eu sou o paradoxo vestido de gente).
A rotina pode chegar, as tardes frias estão prontas para vir e os ruídos dos soluços podem ecoar, porque a tristeza e a melancolia estão em uma viagem de longa data. Elas não querem voltar.
A forma como eu vejo a vida, a forma como eu sinto a morte chegar e a forma como eu vivo essa constante aventura entre nascer e sumir nunca estiveram interligadas, se a vida é curta, ao meu ver, deve-se aproveitá-la tanto sofrendo quanto sendo feliz, não importando o quão doloroso o pó possa ser, porque é tudo curto demais para não se pensar... A luz, o som, os cheiros... Tudo é presença, tudo é corpo, é alma, é suor.
(Agora essa é pra você que pensou que esse texto não faz sentido nenhum.
Isso precisa ter sentido? Isso é meu... Eu sou o paradoxo vestido de gente).
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Ansiedade
Ei, você... É você!
É, você mesma! Você que me adotou
Você que me fez ler
Que me criou, que me amou
É difícil de lhe dizer
Afinal, foi você que me fez
Mas agora vá embora, senhora
Que eu não te quero mais aqui
Você, que percorre meu coração
Que fez ele bater mais forte, desde então...
Não quero saber, se foi você a minha segunda mãe
Agora se vá sem amor nem perdão
Esse estrago que chamo de unha
Foi tudo culpa sua!
Quero que saia sem pedir pra voltar
Quero que não chegue, enquanto ela não chegar.
Vá embora, ansiedade!
Não quero mais você aqui...
Vá embora, ansiedade!
Só não me peça pra sorrir.
É, você mesma! Você que me adotou
Você que me fez ler
Que me criou, que me amou
É difícil de lhe dizer
Afinal, foi você que me fez
Mas agora vá embora, senhora
Que eu não te quero mais aqui
Você, que percorre meu coração
Que fez ele bater mais forte, desde então...
Não quero saber, se foi você a minha segunda mãe
Agora se vá sem amor nem perdão
Esse estrago que chamo de unha
Foi tudo culpa sua!
Quero que saia sem pedir pra voltar
Quero que não chegue, enquanto ela não chegar.
Vá embora, ansiedade!
Não quero mais você aqui...
Vá embora, ansiedade!
Só não me peça pra sorrir.
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